Todo grande time começa por um grande goleiro. E o Fluminense campeão brasileiro de 2010 começava por Ricardo Berna. Titular nos últimos nove jogos da vitoriosa campanha tricolor, Berna deixou a condição de reserva para cair nas graças da torcida, mostrando segurança, tranquilidade e, principalmente, postura. Com atuações de destaque, o paulista ganhou status de ídolo e passou a ser uma unanimidade nas Laranjeiras. Em seis anos no clube, Ricardo Berna escreveu seu nome na História com letras douradas, vestindo a camisa 1, que já foi de ídolos como Castilho, Félix e Paulo Victor, tendo sido decisivo na conquista do tricampeonato nacional.

 

E pensar que, desde garoto, Ricardo Berna sonhava ser jogador de futebol. Incentivado pelos pais, disputou vários campeonatos amadores da região metropolitana de São Paulo. Destacou-se defendendo o Clube Atlético Indiano (equipe amadora paulista) no Campeonato Interclubes, até que, em 1995, depois de fazer um teste com Solitinho (então preparador de goleiros das categorias de base do Sport Clube Corinthians Paulista), passou a treinar no Parque São Jorge de Itaquera. Isso aos 14 anos. No mesmo ano, recebeu proposta para um período de três anos no Japão, onde teria a possibilidade de estudar e de seguir carreira profissional.

 

Após um ano no Japão, resolveu voltar ao Brasil e, em fevereiro de 1996, era goleiro da equipe juvenil do Guarani, de Campinas (SP). Na temporada seguinte, já era o titular do time de juniores e disputou campeonato importantes pela equipe bugrina, sendo vice-campeão do Campeonato Paulista (1997) e campeão do Campeonato Paulista de Aspirantes (1998). As boas atuações lhe renderam o primeiro contrato profissional, aos 17 anos, integrando o time principal do Guarani, mesmo em seu segundo ano na categoria de juniores. O primeiro jogo na equipe profissional foi no Campeonato Brasileiro de 1999, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, sob o comando de Carlos Alberto Silva, com vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-MG'.

 

Em 2000, uma proposta do União São João de Araras o tirou de Campinas. Chegou a disputar o Campeonato Paulista pelo União São João, mas depois foi emprestado. No ano seguinte, viveu o pior momento de sua carreira: uma lesão no púbis fez Ricardo Berna ficar parado por oito meses. Uma longa recuperação que teve um capítulo importante que o técnico Admir Mello ajudou a escrever: o treinador lançou Berna como titular do São José Esporte Clube quando o time brigava para não ser rebaixado no Campeonato Paulista da Série A-2, em 2002, e o goleiro ajudou a equipe a chegar às semifinais. Ali a carreira de Berna dava um salto.

 

Ricardo Berna passou pelo América (MG) antes de chegar às Laranjeiras, em 2005. Era o terceiro goleiro, atrás de Diego e Fernando Henrique, mas teve sua chance no fim de 2006, nos últimos seis jogos do Campeonato Brasileiro daquele ano. Firme, ajudou o time a escapar do rebaixamento. No ano seguinte, fez parte do time que conquistou o inédito título da Copa do Brasil (2007). Em 2008, sagrou-se vice-campeão da Taça Libertadores da América em que o Tricolor perdeu para a LDU (Equador) na final. Em 2009, a mesma LDU venceu o Fluminense na decisão da Liga Sul-Americana, mas, em 2010, Ricardo Berna viu a sorte do Fluminense mudar. E viu de dentro do campo.

 

Lançado por Muricy Ramalho em 17 de outubro no clássico contra o Botafogo, Berna entrou para não sair mais. Depois de muitos problemas no gol tricolor, o novo camisa 1 tranquilizou a torcida com atuações seguras, defesas espetaculares e ajudando a equipe a conquistar vitórias importantes na reta final do Campeonato Brasileiro. Até que, na tarde de 5 de dezembro, contra o Guarani que o revelou, o paulista viveu seu melhor momento na carreira, com a conquista do título nacional que o Fluminense não comemorava havia 26 anos.

 

Quando a equipe mais precisou do seu goleiro, ele estava lá, operando milagres debaixo das traves, ajudando o Fluminense a conquistar o tricampeonato brasileiro: em nove jogos, cinco gols sofridos, cinco jogos sem tomar gols e nenhuma derrota. A festa no Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão), palco da conquista tricolor, após a vitória por 1 a 0 (gol de Emerson). Mas ela foi ainda maior para Ricardo Berna, o número 1 do Fluminense.